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Da newsletter enviada pelo Ex-blog de César Maia:

O site do PRB [partido do Vice-Presidente da República] foi elaborado pela Gráfica Universal Ltda (marca Unideia.com), que pertence a Igreja Universal do Reino de Deus (a Igreja tem 99,9% das ações da empresa). E mais: usam os servidores da ArcaUniversal, que é o portal deles, para enviar newsletters do PRB. A legislação brasileira proíbe as Igrejas se fundirem ou mesclarem com partidos políticos. Há o risco até da cassação do registro do partido. Como este Ex-Blog quer acompanhar o processo eleitoral com todos os partidos participando, chama a atenção do Exmo. Sr. Vice-Presidente para que corrija o quanto antes, dando as explicações ao TSE, evitando as conseqüências previstas em lei.

[...] Está acontecendo no Ipea algo mais grave e primitivo do que o velho e bom disfarce das notícias ruins. Estão encostados ex-diretores recentes e pesquisadores de renome internacional, como Ricardo Paes de Barros. Foi ele quem fez as contas que puseram de pé o Bolsa Família.

PB, como é conhecido, continua no Ipea por amor à camisa da Seleção, pois teve vários convites para saltar. Um deles, da Universidade de Yale. Num astucioso episódio, o economista Fábio Giambiagi foi defenestrado e devolvido ao BNDES. O Grupo de Conjuntura, onde se discutem tendências da economia, foi expurgado. Isso no campo do patrulhamento intelectual.

Há também patrulhas funcionais. Já ocorreu caso de transferência, pelo telefone, de um economista que tinha mais de 20 anos de experiência num setor. O diretor de estudos macroeconômicos, doutor João Sicsu, jamais pôs os pés num seminário (exceção para uma homenagem a Maria da Conceição Tavares). Ele pode estar certo ao não usar o sistema de mensagens eletrônicas do instituto, mas isso não ajuda o bom andamento dos trabalhos.

Com 300 economistas, o Ipea tornou-se uma instituição desorganizada, convertida em orquestra e platéia do egocentrismo de seu presidente que, do pódio, oferece refogados de pesquisas velhas com farofas novas, ao gosto do Planalto. Falta aos comissários a generosidade profissional de chefes recentes, como Roberto Martins, que contribuiu para o reconhecimento de Paes de Barros. Caso o doutor Pochmann queira seguir um exemplo, pode prestar atenção na conduta do presidente do IBGE, Eduardo Nunes.

Se as práticas do comissariado petista estivessem em vigor ao tempo da ditadura, teriam sido afogadas as carreiras de economistas como Pedro Malan, Edmar Bacha, Regis Bonelli e Claudio Moura Castro. Foi graças a eles que os futuros petistas aprenderam (se é que aprenderam) de onde viria a crise da economia do Milagre Brasileiro.

Elio Gapari, na FSP 29.06.2008. Assinante lê mais aqui.

 

A direação do Ipea tomou, por ocasião da divulgação da Carta de Conjuntura de junho, a decisão de não mais divulgar sistematicamente as projeções, abandonando uma prática adotada desde os anos 80. Embora eu tenha sido o coordenador de Conjuntura durante quatro anos, sinto-me à vontade para defender o que foi feito até agora, porque isso era mérito não do coordenador A ou B, e sim de um esforço institucional de quase três décadas, desde o início das primeiras reuniões trimestrais de conjuntura, ainda no governo militar, cujo desdobramento foi a criação do Grupo de Acompanhamento Conjuntural no ano de 1987. A atual direção do Ipea age como se a instituição fosse propriedade privada dela e pudesse acabar de uma penada com aquilo que antes fora erguido ao longo de anos. Em 2007, o Boletim de Conjuntura era, de longe, a publicação mais acessada do site do Ipea.

Com seus erros e acertos, havia aí uma credibilidade e uma reputação construídas com muito esforço e investimento institucional. Por ocasião da decisão, uma das autoridades do Ipea declarou que “não somos gestores de política econômica nem operadores do mercado financeiro para nos preocuparmos com as projeções” (”O Globo”, 27/6/ 2008).

A frase, além de ofensiva, é reveladora de uma posição insólita em um administrador público em relação às pessoas que ele comanda. Isso porque as posições do Grupo de Conjuntura foram sempre fruto de discussões do grupo como um todo, cujos componentes continuaram trabalhando no Ipea sob a gestão atual. Ao longo dos anos, nenhum número ou editorial do boletim foi fruto da vontade unilateral do seu coordenador ou do diretor responsável. Tudo era discutido previamente com o grupo. Insinuar, como ele fez, que divulgar projeções indicaria algum tipo de relação entre o Grupo de Conjuntura e o mercado financeiro é uma agressão aos seus atuais subordinados, que tinham participado da elaboração do boletim nos anos anteriores. [...]

Fabio Giambiagi, na FSP 29.06.2008. Assinante lê mais aqui.

Do jornal Estadão:

Maquiavel aconselhava os líderes políticos a fazer o bem aos poucos e o mal de uma vez. Já o presidente Lula, quando quer arrear as instituições do Estado para subordiná-las aos interesses do governo, adota a tática de destruí-las pelas bordas, gradativamente, decerto na expectativa de fragmentar também as reações ao malefício. Tem sido assim com as agências reguladoras - cuja independência representava um evidente obstáculo à expansão dos controles do Planalto sobre áreas estratégicas da economia. E assim está sendo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), outrora o mais conceituado centro de estudos dos problemas brasileiros, no âmbito do setor público.

O primeiro golpe que o atual governo lhe desferiu, em abril do ano passado, foi a sua transferência do Ministério do Planejamento, ao qual se vinculava desde 1966, dois anos depois de sua criação, para o Ministério de Assuntos Estratégicos, como foi rebatizada a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo (Sealopra) entregue ao flexível filósofo Roberto Mangabeira Unger. O deslocamento servia a duas intenções: dar um mínimo de conteúdo ao chamado Ministério do Futuro e começar a solapar a autonomia indissociável da história do Ipea. Ainda sob o regime militar, a sua posição de destaque no Executivo e a qualidade dos seus trabalhos, que não raro contestavam as verdades oficiais, deram-lhe visibilidade e o projetaram à condição de consciência crítica nacional.

O segundo estrago foi a nomeação, em agosto, do economista Márcio Pochmann, mais conhecido por sua ideologia estatista do que por suas luzes acadêmicas. Três meses depois, ele fez o que nem sequer os generais ousaram contra os pesquisadores da instituição não-alinhados com o governo: expurgou quatro economistas - Fábio Giambiagi, Otávio Tourinho, Gervásio Castro de Rezende e Régis Bonelli - cujos textos, lastreados em análises objetivas, desagradavam ao lulismo, em especial quando advertiam para os efeitos da gastança federal. Agora, veio a terceira marretada para pôr abaixo a instituição. Acabando com uma tradição que remonta à década de 1980, o Ipea deixa de divulgar a sua Carta de Conjuntura, com projeções atualizadas a cada três meses do desempenho da economia.

Doravante, haverá uma única divulgação anual, em março, isso se as previsões anteriores se revelarem equivocadas. Não é uma questão trivial: as atualizações eram uma referência para os agentes econômicos e a sociedade em geral. Naturalmente, a periodicidade trimestral, numa quadra de inflação maior e crescimento menor, pode ser um estorvo para um governo que costuma apregoar que tudo vai no melhor dos mundos possíveis; melhor ocultar a realidade. [...]

Leia mais aqui.

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Herdei o carinho e admiração a Ruth Cardoso de minha orientadora do doutorado na FGV-SP, Ana Cristina Braga Martes. Cris, como a chamo, foi orientada por Ruth no seu doutoramento na USP e trabalhou como sua assistente de pesquisa por vários anos. Seriedade na função de pesquisador, a importância da pesquisa de campo, a ética em todo o processo da pesquisa, respeito e liberdade de pensamento aos orientandos foram algumas das atitudes que Cris se orgulha de ter aprendido com Ruth.

Quando eu estava no final de minha tese, Cris me perguntou o que eu achava de convidarmos a Ruth para compor minha banca. Fiquei temeroso e inseguro porque julgava que a tese não estava no nível do quilate de Ruth. Mas confiei no bom senso da Cris. Ela me disse: “Mauricio, pode ter certeza que a Ruth vai ler sua tese com muito cuidado e carinho, e fará contribuições valiosas”. Certamente o convite a ela foi uma das melhores coisas que aconteceu no meu doutorado. Sua participação começou um dia antes de minha defesa, em uma mensagem encaminhada a minha orientadora, em que disse: “Adorei ler esta tese”. Essas quatro palavras mudaram o meu estado de ansiedade para serenidade, dando-me coragem para dar o último passo no doutorado. Ruth chegou sorridente no dia da defesa (22 de fevereiro de 2008). A primeira coisa que chamou minha atenção foi sua vitalidade, incrível para uma mulher de 77 anos. Conversamos um pouco, e contou-me que particularmente nas duas últimas semanas estava trabalhando intensamente na Comunitas na captação de recursos para os projetos em andamento. A banca iniciou com a Ruth fazendo seus comentários. Ela foi muito generosa e perspicaz na leitura de minha tese, contribuindo em muitos pontos com suas críticas. Seus elogios estão guardados comigo como um tesouro. E, por fim, compreendi melhor a razão da admiração que a Cris tem por ela.

Provavelmente sua participação em minha banca foi sua última atividade na academia. Perde a academia, mas também perde o país, perde a luta pelo fortalecimento da sociedade civil, perde o verdadeiro espírito público. Difícil hoje em dia que o desaparecimento de uma pessoa represente tantas perdas. Mas com a Ruth isso aconteceu.

 

Vale a pena conferir uma entrevista que a Dra. Ruth Cardoso concedeu à profa. Ana Cristina Braga Martes e ao prof. Mario Aquino Alves (ambos da FGV-SP) e publicado na Revista de Administração de Empresas, em 2006. Tive a honra de ter participado desse texto como editor assistente. Para ler, acesse aqui.

Do Ex-blog do César Maia:

1. A surpreendente notícia do falecimento de Dona Ruth Cardoso trouxe a memória o momento em que ela idealizava e introduzia o programa bolsa-escola. Criadora do Comunidade Solidária, ao tempo que desenvolvia os programas clássicos de inclusão e promoção, sociais, analisava as experiência que eram desenvolvidas por estados, municípios e ONGs. No início de 1996 a primeira dama na época pedia ao Prefeito do Rio uma agenda. Descreveu as experiências que acompanhava em relação aos programas executados de bolsa-alimentação e destacava os municípios -Campinas, além do Rio- entre outros, que haviam vinculado a bolsa-alimentação à freqüência escolar.

2. E trazia já desenhado o que seria o programa Bolsa-Escola, onde a bolsa alimentação seria substituída por uma renda direta, vinculada a freqüência escolar. A Prefeitura do Rio imediatamente aderiu a essa transformação, na medida em que aquela vinculação já era exigida. Em função disso, a secretária de desenvolvimento social da Prefeitura do Rio -W. Engel-  foi convidada por Dona Ruth, para após o término da gestão municipal, ir coordenar esse e outros programas junto a ela. E assim foi.

3. Se alguém procura maternidade ou paternidade para os programas de inclusão social associados à renda, a Prefeitura do Rio é testemunha de que coube a Dona Ruth Cardoso idealizar, desenhar e implementar este programa em parceria com municípios e estados. A ela o reconhecimento e a admiração permanentes de nosso Povo. E a saudade de todos!

 

Gilberto Dimenstein, na Folha de S.Paulo:

Ruth Cardoso é um dos personagens discretos por trás da maior realização social da gestão Lula: a Bolsa Família.

Como uma das mais notáveis estudiosas brasileiras da questão social, Ruth Cardoso ajudou, quando era primeira-dama, na implementação de ações governamentais que fossem focadas e envolvendo diferentes esferas de poder, num esforço para evitar a superposição da tarefas e desperdício de recursos.

Havia tempo, ela observava a pulverização inconseqüente de planos oficiais. Até então praticamente não existiam no país projetos envolvendo tantos e tão diversos ministérios e secretarias, centrados no município.

Nessa visão, ela vinha impulsionando, dentro do governo FHC, um plano para que as diferentes bolsas (bolsa-escola, bolsa-alimentação etc) existentes fossem unificadas em torno de apenas um eixo –no caso, a família. Buscava-se um único cadastro para os programas.

Todo esse esboço de unificação já estava encaminhado quando Lula assumiu poder.

 

Da BBC-Brasil:

Para o professor e cientista político Anthony Hall, da London School of Economics (LSE, Escola de Economia de Londres), a contribuição da ex-primeira dama e antropóloga Ruth Cardoso, falecida na terça-feira em São Paulo, ajudou a mudar os rumos da política social no Brasil.

“Ela foi uma peça fundamental na idéia de unir os vários programas sociais e de transferência de renda dos anos 90 em um único programa”, disse Hall em entrevista à BBC Brasil.

O acadêmico explica que vários programas locais de combate à pobreza se espalharam pelo país na década de 90, especialmente no nível municipal, em cidades como Campinas, Belo Horizonte, Blumenau, Vitória e outras localidades.

Ele acredita que essas iniciativas teriam culminado com a criação do Bolsa Escola, em Brasília e, mais tarde, na adoção do Bolsa Família como um programa nacional do governo brasileiro.

Segundo ele, Ruth Cardoso teria sido quem impulsionou a unificação dos programas de transferência de renda e de combate à fome no país e teria sido ela quem persuadiu o então presidente Fernando Henrique a adotar esse sistema unificado em nível nacional.

“Muitas pessoas acreditam que ela foi de fato a primeira pessoa que pensou na idéia do Bolsa Família, apesar de o programa não ter esse nome na época. Mas essa idéia de unificar os programas, criar uma economia mais equilibrada e eficiente, foi exatamente o que Lula fez quando assumiu o governo em 2003″, disse.

Para Hall, por essas razões é possível afirmar que Ruth Cardoso foi uma das pessoas mais influentes para a mudança de direção nas políticas sociais do Brasil a partir da década de 90.

O que, afinal, a neurociência pode dizer sobre o processo de inovação?

Por Suzana Herculano-Houzel

Um dos lados divertidos de ser neurocientista de plantão são os convites para falar para públicos diferentes, e na semana passada lá fui eu falar no workshop de inovação de uma empresa de perfumes e cosméticos. O tema? Criatividade. Ótima chance para usar meu lado criativo e montar uma palestra diferente das habituais -mas não sem antes uma hesitação: o que, afinal, a neurociência pode dizer sobre o processo de inovação?

Muita coisa. A começar pela falta de originalidade: você já notou que, nos filmes de ficção científica, os alienígenas são sempre variações sobre humanos, répteis, polvos e outros bichos com tentáculos ou seres amorfos, como amebas? Na melhor das hipóteses, os criadores apelam para seres invisíveis que dominam seres humanos. Por que tanta falta de criatividade?

No final dos anos 1990, quando se tornou possível acompanhar a atividade cerebral em voluntários acordados e saudáveis, o neurocientista inglês Stephen Kosslyn mostrou que a imaginação -a capacidade de visualizar mentalmente o que não está acessível aos olhos ou a outros sentidos- usa as mesmas partes do cérebro que recebem informações dos sentidos.

Acontece que, desde os anos 1970, sabemos que os sentidos dependem de experiência para se firmarem no cérebro. Daí, por exemplo, a importância de corrigir o estrabismo cedo: se o cérebro não tiver experiência com imagens convergentes dos dois olhos ao mesmo tempo, ele não aprende a enxergar profundidade e pode acabar praticamente cego para um dos olhos.

O mesmo vale para sons, cheiros e imagens que não vemos nunca: o cérebro não aprende a percebê-los. Um cérebro que nunca viu movimento, por exemplo, não sabe o que fazer com isso. E um que nunca viu araras ou ultravioleta não sabe imaginar o que é uma arara ou a cor do ultravioleta. Se a imaginação depende dos sentidos e os sentidos, de experiência, então a imaginação depende de experiência.

A boa notícia é que a experiência que nos limita a criatividade é algo que se adquire, podendo ser desenvolvida. Quanto mais ricas em variedade forem nossas experiências sensoriais, mais elementos teremos para combinar de maneiras inusitadas e criativas. A má notícia é que, se somos limitados pela experiência, posso abandonar minhas esperanças de um dia ver um extraterrestre realmente diferente nos filmes -enquanto um de verdade não vier à Terra…

Suzana Herculano-Houzel, neurocientista, professora da UFRJ, autora do livro “Fique de Bem com o Seu Cérebro” (Editora Sextante) e do site O Cérebro Nosso de Cada Dia (http://www.cerebronosso.bio.br). Artigo publicado na “Folha de SP” (19/6/2008). Via Jornal da Ciência.

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Buscar líderes de organizações ou empresas que alcançaram soluções para problemas sociais com uma abordagem inovadora e de maneira replicável. Com essa missão a Fundação Schwab, com a parceria do jornal Folha de S.Paulo, realiza a quarta edição do prêmio “Empreendedor Social 2008”.

O vencedor de 2008 fará parte da rede mundial de “Empreendedores Sociais de Destaque” da Fundação Schwab. Isso significa acesso a benefícios especiais, como serviço de consultoria internacional gratuito e bolsas de estudo em instituições de primeira linha como Harvard Business School, nos EUA, e Insead, na França. Também será convidado a participar da reunião anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, caso atenda a critérios como falar inglês fluentemente, entre outros.

Neste ano, alguns dos benefícios serão estendidos para o segundo e o terceiro colocados: eles participarão, com despesas pagas de transporte e hospedagem, da reunião regional do Fórum Econômico Mundial, prevista para ocorrer em abril de 2009, no Rio de Janeiro. Além disso, poderão integrar o Fórum dos Jovens Líderes Globais, caso tenham menos de 40 anos de idade. Todos os finalistas terão seus perfis publicados pela Folha em um caderno de circulação nacional.

Para estar entre os selecionados, é essencial atender aos critérios mais relevantes do prêmio: inovação, sustentabilidade e impacto social direto. Serão levados em consideração também a abrangência e o efeito multiplicador do projeto.

“O bom candidato traz uma idéia efetiva para lutar contra a pobreza ou resolver um problema social ou ambiental. Já o candidato de excelência com grandes chances de ser finalista se mostra capaz de levar essa idéia a uma escala nacional, além de encontrar meios sustentáveis de gerar receita”, descreve a diretora da Fundação Schwab, Mirjam Schoening.

Não há restrições a empresas com fins lucrativos, desde que predomine o esforço para a criação de avanços sociais. Já organizações governamentais não serão consideradas, assim como entidades intermediárias, instituições de pesquisa e fundações que busquem criar valor social por meio da oferta de suporte financeiro ou técnico a grupos comunitários.

Após análise dos formulários inscritos na primeira fase, os candidatos classificados para a segunda etapa serão convidados a enviar documentos que comprovem a veracidade dos dados. O material será analisado pela Folha e pela empresa de verificação, testes e certificações SGS, apoiadora do prêmio.

Os selecionados nessa fase poderão ser visitados pela organização. Em seguida, passarão pelo crivo de um júri composto de membros dos setores acadêmico, público e empresarial, que escolherá o Empreendedor Social 2008. O vencedor será conhecido em evento previsto para dezembro.

O concurso tem ainda apoio do Centro de Estudos do Terceiro Setor da Fundação Getulio Vargas, do Gife (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, da Rits (Rede de Informações para o Terceiro Setor) e do portal de conteúdo UOL.

A Fundação Schwab promove o prêmio em mais de 20 países. Em todos eles, escolhe uma empresa de mídia como parceira-chave. No Brasil, a Folha é responsável pela organização do prêmio desde sua criação, em 2005.

As inscrições devem ser feitas apenas pela internet, no site: www.uol.com.br/empreendedorsocial.

Fonte: Rede GIFE.

Do blog de Reinaldo Azevedo:

A Anatel mudou a lei que impedia a compra da Brasil Telecom pela Oi, que já aconteceu. Ora, no país em que editais públicos são redigidos com a colaboração do comprador único, que mal há em adaptar as leis aos negócios?

Como já escrevi, em país sério, os negócios se fazem de acordo com as leis; nas repúblicas bananeiras, as leis se fazem de acordo com os negócios.

A propósito: se o entendimento da Lei de Falências que foi usado no caso Varig for universalizado — e, a ser mantido, terá de ser, né? —, a coisa se resolve assim: a empresa quebrou? Jogam-se as dívidas numa nova empresa podre e se vende a parte boa.

O Brasil está operando uma revolução no mundo dos negócios: a criação e/ou interpretação de leis conforme as necessidades do cliente.

Via Arrastão.

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Da Folha Online

Para preparar um bom café, é preciso ter a mãos ingredientes de qualidade e, claro, seguir algumas dicas de quem entende do assunto. Ouça aqui Silvia Magalhães, três vezes campeã brasileira de barista.

Da Época Negócios Edição 16 - Junho de 2008 | 04/06/2008

Ele quebrou o silêncio

O canadense Howard Weinstein criou em Botsuana a única empresa que fabrica aparelhos auditivos na África e a única do mundo que emprega pessoas deficientes no processo. Agora Howard está no Brasil para replicar o modelo de sucesso

por Rafael Barifouse

Num domingo ensolarado, o canadense Howard Weinstein saiu de sua casa em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, e foi até o bairro dos Jardins para protestar. Participava do Dia Global por Darfur, 29 de abril, que marcou o quarto ano do embate político entre grupos de oposição daquela cidade e o governo do Sudão. Em frente ao consulado russo, Howard manifestou sua indignação por 200 mil vítimas e 2 milhões de desabrigados em conseqüência do conflito e pelo apoio da Rússia ao governo sudanês com um cartaz em que se lia: “Libertem o povo de Darfur”. Enquanto milhares marchavam pelas ruas das principais capitais do mundo, ele fazia um protesto de um homem só no Brasil.

Howard sabe que seu ato solitário não mudou a política internacional russa, mas, para um idealista criado pela contracultura da década de 70, era importante estar lá. Aos 58 anos, ele entende a diferença que uma pessoa pode fazer por uma causa. Ele é o protagonista de uma história de transformação vivida na pequena cidade de Otse, no sul de Botsuana. Foi lá que criou a Godisa Technologies, a única empresa que produz aparelhos auditivos na África e a única do mundo que emprega deficientes auditivos no processo. Agora está no Brasil para replicar o modelo.

O conceito original foi criado pela ONG africana Camphill Village, que buscava uma saída para um desequilíbrio de mercado. Há 250 milhões de pessoas no mundo que precisam de aparelhos auditivos, segundo a Organização Mundial da Saúde, mas só 16 milhões são produzidos por ano. Desses, 12% são feitos em países em desenvolvimento, onde estão dois terços das pessoas que precisam deles. Isso porque o acesso a tratamentos e remédios contra infecções surgidas após o nascimento é restrito nesses países, o que aumenta a incidência desse tipo de deficiência. Mas havia outro problema. O preço de um aparelho auditivo varia entre R$ 1 mil e R$ 10 mil. A maioria dos deficientes auditivos do mundo não pode arcar com esse custo. E, quando podem, acabam deixando o aparelho de lado, pois a sua bateria dura apenas uma semana e custa R$ 3. A solução para as duas questões viria na forma de um aparelho auditivo de baixo custo, com baterias recarregáveis a energia solar.

Howard não sabia o que fazer da vida quando aceitou participar do projeto. Dois anos e meio antes do convite, vivia confortavelmente em Montreal, no Canadá, graças à venda de sua empresa de encanamentos, na qual permaneceu como presidente. Na época, sua filha Sarah, de 10 anos, faleceu vítima de um aneurisma. No dia seguinte, Howard foi demitido. “Eles achavam que eu não conseguiria conduzir bem o negócio depois do trauma”, diz. “Fiquei perdido.” O empresário tirou um ano de folga, fez terapia e, recuperado, criou uma empresa de assentos higiênicos eletrônicos. Mas diz que não se sentia realizado. Quase falido, começou a buscar trabalhos em países em desenvolvimento até ser chamado pela ONG World University Service of Canada para ir para a África por um salário mensal de US$ 1 mil. Aceitou.

Howard levou 18 meses para fabricar o primeiro aparelho auditivo Solar Aid. Especialistas se encarregaram da missão de criar as tecnologias inovadoras do kit: as baterias recarregáveis com vida útil de dois a três anos e o coletor de energia solar para abastecê-las. Ambos funcionam com qualquer modelo de aparelho. Nenhuma das invenções foi patenteada. “Será ótimo se grandes companhias usarem nossas invenções ou as copiarem”, diz Howard. “O seu poder de distribuição seria muito maior do que jamais teremos.”

Coube ao empresário, pós-graduado em negócios internacionais, elaborar um plano sólido e ir atrás dos US$ 500 mil necessários para o projeto. A African Development Foundation e o instituto de educação do investidor americano George Soros gostaram do plano de Howard. Após o primeiro financiamento, a Godisa seria auto-suficiente com a venda do Solar Aid por R$ 250. Os 30% de lucro seriam suficientes para pagar as contas, o salário de dez funcionários e fazer novos investimentos. Além disso, são os próprios deficientes auditivos que fabricam os aparelhos. “Eles chegam desconfiados, mas mudam de atitude quando entendem que o projeto é deles”, diz Howard. Com a habilidade motora desenvolvida pela linguagem de sinais, eles são ideais para fazer as soldas delicadas dos componentes eletrônicos.

Leia mais aqui.

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Empresas ligadas à igreja seriam usadas para lavar no exterior dinheiro arrecadado com o dízimo dos fiéis

A Justiça de São Paulo decretou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de empresas e de pessoas acusadas de montar um esquema para lavar dinheiro da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd). A medida atinge sete integrantes da Iurd e duas empresas que manteriam relações com offshores em paraísos fiscais no Caribe. A investigação conduzida pelo Ministério Público Estadual (MPE) envolve remessas de divisas para o exterior que seriam recambiadas ao País e aplicadas em empresas controladas pela igreja. O mecanismo serviria para burlar a Receita Federal, escondendo a suposta origem dos recursos: o dízimo dos fiéis.

Os alvos do MPE são praticamente os mesmos que figuraram no inquérito instaurado em 1999 pela Procuradoria-Geral da República para apurar a compra da Record Rio e de outras emissoras. Entre eles estão o segundo vice-presidente da Câmara Municipal de Petrópolis, Claudemir Mendonça de Andrade (PSDB), e outros dois ex-vereadores cariocas - Waldir Abrão e João Monteiro de Castro dos Santos.

Também tiveram seus sigilos quebrados o pastor Márcio de Lima Araújo, ex-secretário de Esportes na gestão de Paulo Maluf na Prefeitura de São Paulo (1993-1997), e Álvaro Stievano Júnior. Eles são suspeitos de manter ligações com os offshores Cableinvest Limited e a Investholding Limited, nas Ilhas Cayman, paraíso fiscal no Caribe.

Os promotores paulistas também tentaram quebrar o sigilo do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), um dos principais expoentes da igreja ao lado de seu tio, o bispo Edir Macedo, líder e fundador da Universal. Como parlamentares têm direito a foro privilegiado, em junho o inquérito seguiu para análise do Supremo Tribunal Federal (STF), que negou o pedido. [...]

Leia mais aqui. Fonte: O Estado de São Paulo, via Gospel+

Li no ótimo Pavablog o seguinte trecho de um texto de Frei Betto:

Para nós, que vivemos no Brasil, o shopping center é algo mais do que na Europa e nos Estados Unidos. É onde os pobres desaparecem da paisagem; não há mendigos, não há crianças de rua, não há pedintes, ou seja, é onde faço de conta que a minha realidade não existe. Costumo dizer que o principal produto que o shopping center oferece é gratuito: a ilusão de que vivo numa sociedade ideal, onde todos os bens estão ao alcance da mão e ninguém está privado dessa possibilidade que eu não vejo a multidão de pobres.

Tenho respeito pela trajetória de Frei Betto e li alguns de seus livros, que foram importantes para minha formação. Mas depois de um tempo comecei a me incomodar por ele se tornar repetitivo, mas, principalmente, pela sua imparcialidade, principalmente ao tratar da classe média, descrevendo-a e criticando-a de uma maneira, a meu ver, bastante injusta.

Eu não sei ao certo o que ele chama de pobres, mas ele se engana ao afirmar que o shopping center vende a ilusão de uma sociedade ideal. O que vejo são famílias, muitas notoriamente sem recursos financeiros abundantes, que levam suas crianças para a praça de alimentação e para se entreterem durante um curto espaço de tempo. Eles não estão fugindo dos mendigos, dos pedintes, das crianças de ruas, mas da violência, do trânsito caótico, enfim, buscam um pouco de segurança, um pouco de tranqüilidade perdida das ruas das cidades brasileiras. As pessoas buscam apenas “um pouco” do que não encontram no espaço público. Os shoppings são um espaço onde as leis devem ser cumpridas rigorosamente e, por ironia, o civismo é exercido. As pessoas são geralmente bem atendidas, seus direitos de consumidor são exercidos, e as coisas funcionam bem: as escadas rolantes, os lugares não possuem lixo no chão, os guardas prestativos dão informações e são geralmente gentis, e os banheiros – que qualquer pessoa pode usar – são geralmente muito limpos.

O que as pessoas no Brasil buscam nos shoppings não é uma sociedade ideal, como afirma Frei Betto, mas um mundo real no qual se pode ter um pouco de civilidade e respeito.

Um mercado ideal: empresas com fins lucrativos que ajudam os pobres em vez de explorá-los

Será possível uma empresa obter lucro com o trabalho da população pobre do mundo em desenvolvimento sem tirar vantagem dessas pessoas?

Para Patrick Byrne, a resposta é sem dúvida alguma sim. Byrne acredita ter descoberto uma maneira de sua empresa, a Overstock.com, ganhar dinheiro com o trabalho dos artesãos do mundo em desenvolvimento e, ao mesmo tempo, ajudá-los a fazer contato com a clientela do mundo desenvolvido. Contudo, para Chuck Waterfield, criador do Microfin — um programa desenvolvido por ele para tomadores de microcrédito — a resposta é um sonoro não, pelo menos no que se refere a Compartamos, um credor conhecido do segmento de microcrédito mexicano. Ambos apresentaram seu ponto de vista no Congresso sobre Microfinanças da Wharton deste ano.

Fonte: Universia Knowledge Wharton. Leia mais aqui.

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Uma interessante iniciativa da Editora Globo: revelar e repercutir ações e exemplos de gente que faz e promove o bem no Brasil.

Este projeto pioneiro no Brasil pode ser acessado aqui.

Participantes dos três estados do sul do país e convidados poderão conhecer mais profundamente este novo agir econômico.

A Economia de Comunhão (EdC) é um projeto que envolve empresas dos cinco continentes. Os empresários que livremente aderem ao projeto decidem colocar em comunhão os lucros da empresa segundo três finalidades: ajudar as pessoas em dificuldades financeiras criando postos de trabalho e suprimindo necessidades elementares; difundir a “cultura do dar” e do amor; e desenvolver a empresa, que deve ser eficiente e permanecer aberta ao dom.

Com o tema Trabalho, Comunhão e Fraternidade, o congresso será aberto a empresários, estudantes e interessados, e terá momentos de formação técnica, apresentação experiências reais da EdC, exposição de empresas adeptas.

As inscrições devem ser feitas antecipadamente bem como a indicação da necessidade de hospedagem. Para realizar a sua inscrição acesso www.focolares.org.br/sul/edc .

Data: 21 e 22 de junho (sábado e domingo)

Horário: 9h (sábado) às 17h (domingo)

Local: Auditório Gregor Mendes (Bloco verde)

Inscrição: R$ 45,00

Hospedagem: R$ 35,00 (pernoite)

Informações:

  • Curitiba: 41 - 3244-5846 / 3077-2623
  • Florianópolis: 48 - 3244-4190 / 3244-0970
  • Porto Alegre: 51 - 3334-2579 / 3332-3498
  • Londrina: 43 - 3326-1820

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É com certo pesar que constato: já não há espaço para a boa política.

Frase de Jefferson Pérez, senador (PDT-AM) que faleceu hoje. Acesse aqui e aqui.

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